Começar pelo trabalho de quem vai participar

Para preparar formação em inteligência artificial, identifica as funções dos participantes e as tarefas em que precisam de apoio. Uma equipa comercial, uma equipa de marketing e uma equipa de operações enfrentam problemas diferentes. O programa deve reconhecer essas diferenças e escolher exercícios que cada pessoa consiga relacionar com o seu trabalho.

Numa equipa comercial, pode fazer sentido trabalhar a preparação de uma conversa, a organização de notas ou a triagem de pedidos. Em marketing, pode haver necessidade de analisar campanhas, rever uma oferta ou preparar variantes de conteúdo. Nas operações, o interesse pode estar em reduzir cópias manuais entre ferramentas e organizar informação dispersa.

Estes exemplos ajudam a iniciar o diagnóstico, sem pressupor que todas as tarefas precisam de IA. Antes da sessão, vale pedir aos participantes uma dificuldade concreta e um exemplo do que já tentaram. A resposta mostra o nível de familiaridade com as ferramentas e evita começar por uma demonstração que poucos conseguem acompanhar.

Na minha experiência de formação, as perguntas tornam-se mais úteis quando há trabalho para analisar. No Laboratório da IA, revejo projetos em duas mentorias por mês. Na formação para empresas, a preparação tem de considerar também o processo partilhado, quem o coordena e o que a organização permite utilizar.

Escolher entre sensibilização, oficina prática e acompanhamento

O formato deve corresponder ao resultado esperado da formação. Uma sessão de sensibilização ajuda a compreender possibilidades e limites; uma oficina permite experimentar num problema delimitado; o acompanhamento serve para rever a aplicação ao longo do tempo. A escolha depende do ponto de partida e do tempo disponível para trabalhar depois.

Se a direção precisa de decidir onde investir, faz sentido discutir processos, critérios de escolha e riscos de implementação. Essa conversa pode dispensar uma sequência extensa de botões e configurações. Se uma equipa já escolheu o problema e precisa de construir uma primeira solução, haverá mais espaço para execução e revisão técnica.

Uma oficina exige preparação diferente de uma palestra. É preciso confirmar acessos, equipamentos, contas e materiais de trabalho antes do dia. Se parte da sessão depender de uma integração que os participantes não conseguem autorizar, o tempo acaba gasto em problemas de acesso. Esses detalhes devem ser esclarecidos durante a preparação.

Quando o objetivo é apresentar possibilidades a uma audiência mais ampla, uma palestra sobre inteligência artificial pode ser o formato adequado. Se o desafio exige uma equipa para assumir a implementação, começa pela página de consultoria de IA para empresas. Clarificar esta diferença ajuda a contratar o tipo de apoio de que precisas.

Trabalhar um exercício com princípio, fim e revisão

Um exercício útil deve começar com uma situação compreensível e terminar com um resultado que os participantes conseguem avaliar. Define o material de entrada, o comportamento esperado e as situações em que é preciso parar ou pedir ajuda. A revisão do que aconteceu deve fazer parte da sessão, com tempo reservado para discutir dificuldades.

Imagina, como exercício, preparar um resumo de um pedido comercial fictício. A equipa recebe uma mensagem com serviço pretendido, prazo e algumas dúvidas. O assistente deve organizar essa informação sem inventar um orçamento nem completar dados ausentes. Os participantes comparam a resposta com o pedido original e identificam o que se perdeu pelo caminho.

Numa segunda tentativa, altera a mensagem para incluir dois serviços ou um prazo ambíguo. A dificuldade passa a ser perceber quando uma resposta aparentemente completa esconde uma interpretação errada. Essa comparação ensina a escrever instruções melhores e, sobretudo, a definir o que merece revisão humana antes de continuar o processo.

Para exercícios de construção de software, uso como referência o trabalho mostrado na Sexta Ímpar #145, sobre uma aplicação criada com Claude Code. O planeamento inclui regras, dados e permissões. O artigo sobre planear uma aplicação antes de programar permite preparar perguntas antes da formação e retomar o raciocínio depois.

Incluir segurança e critérios de utilização desde o início

A formação deve explicar que informação pode ser usada, que ações exigem autorização e como verificar os resultados produzidos pela IA. Essas regras precisam de acompanhar os exercícios práticos. Aprender uma ferramenta sem compreender os limites de utilização deixa a equipa com dúvidas precisamente quando começa a aplicar o conhecimento no trabalho real.

Usa dados fictícios ou exemplos previamente preparados para a sessão. Não é necessário copiar a base de clientes para aprender a organizar pedidos ou testar uma classificação. Quando o exercício precisa de informação interna, a organização deve esclarecer previamente o que pode ser partilhado e em que ambiente pode ser trabalhado.

Se o programa envolver aplicações, os participantes devem perceber a diferença entre esconder um botão e proteger uma ação. A autorização tem de ser confirmada no servidor e os dados privados precisam de regras de acesso. Na aula #145, aos 23:43, discuto a revisão de segurança associada à aplicação que construí.

Também vale ensinar a comunicar incerteza. Quando faltam dados, a resposta deve indicar a falta e permitir continuar a investigação. Num relatório de campanhas, por exemplo, uma conclusão não deve esconder que a exportação está incompleta. Desenvolvo estes cuidados na página de IA e automação, com exemplos das aulas e ligações às demonstrações.

Preparar a aplicação depois da formação

A formação precisa de espaço na agenda para ser aplicada depois. Escolhe uma tarefa, um responsável e uma data para rever o que aconteceu. Guarda os exemplos trabalhados e as decisões tomadas, para que a equipa consiga continuar sem depender da memória de quem esteve na sessão ou da disponibilidade permanente do formador.

No livro que escrevi em 2022, defendia documentar processos e aprendizagens num playbook. A ideia era permitir que outra pessoa continuasse o trabalho e evitasse repetir erros já conhecidos. Hoje, esse registo também pode incluir instruções usadas com IA, exemplos de respostas aceitáveis e situações que devem ser encaminhadas para revisão.

Na Sexta Ímpar #147, quando falei sobre investir em aprendizagem, voltei à dificuldade de acumular formação sem aplicar. Uma pergunta concreta ajuda: o que vamos conseguir fazer melhor nas próximas semanas? A resposta permite reservar tempo, escolher um ensaio e voltar à discussão com experiência própria.

Na revisão, observa execução e qualidade. Uma tarefa pode ficar mais rápida e exigir mais correções; outra pode demorar o mesmo, mas tornar a informação mais fácil de consultar pela equipa. Regista essa diferença e decide o que manter. A experiência dos participantes deve alimentar a próxima escolha de formação, sem transformar cada novidade numa compra automática.

Como pedir uma formação para a tua equipa

Para pedir uma formação, descreve quem vai participar, o que pretende aprender e o contexto em que vai aplicar esse conhecimento. Indica o formato desejado, a dimensão do grupo e as datas possíveis. A minha equipa comercial recolhe essa informação e dá seguimento ao pedido para discutir condições e disponibilidade.

Ajuda-nos saber se os participantes já usam ferramentas de IA, se existe um processo escolhido e se procuram uma sessão introdutória ou trabalho prático. Se ainda estás a explorar o tema, diz isso. Podemos começar por esclarecer o objetivo, sem fingir que já existe um programa fechado para uma necessidade que ainda não conhecemos.

Trabalho no digital desde 2012 e tenho mais de 30 mil alunos ao longo do meu percurso. Essa experiência inclui marketing, negócios online e formação; as demonstrações atuais de IA ligam-se ao trabalho que continuo a desenvolver. Podes conhecer o meu percurso e consultar as formações disponíveis antes de preparar o convite.

Envia o contexto através da página de pedidos de formação e convites. O formulário levanta a necessidade e permite que a equipa organize a conversa seguinte. Datas, programa, duração e orçamento são discutidos depois, de acordo com o objetivo e as condições do pedido.