Aprender a vender foi tão importante como aprender a executar

A minha entrada no digital aconteceu na República Checa, na Webnode. Tinha estudado Relações Internacionais e um vídeo que fiz para o YouTube ajudou-me a chegar ao primeiro emprego. Foi dentro da empresa que comecei a perceber o papel dos anúncios online na aquisição de clientes.

Contei esse início numa entrevista à Afiliados Magazine, em 2023. Quando voltei para Portugal e comecei a trabalhar por minha conta, a dificuldade já não era só técnica. Precisava de explicar o valor do trabalho, apresentar propostas e cobrar por aquilo que sabia fazer. Passei por agência, trabalhei com marcas e mercados diferentes e, mais tarde, no Jusbrasil, sempre a desenvolver projetos como freelancer em paralelo.

A agência nasceu em 2019 a partir de trabalho que já existia. Já tinha clientes e faturação que permitiram dar o passo de pagar um espaço, comprar equipamento e contratar o primeiro colaborador. Essa origem acompanha até hoje a forma como avalio negócios de terceiros: interessa-me perceber o que já foi feito, o que foi aprendido e que recursos estão comprometidos com o projeto antes de olhar para qualquer ideia.

Construir equipa obrigou-me a mudar a forma de trabalhar

Saber gerir campanhas foi uma base importante, mas gerir uma empresa trouxe outro tipo de decisões: contratação, distribuição de responsabilidades, relação com clientes e margem. São temas que continuo a discutir publicamente porque condicionam os resultados do marketing tanto quanto qualquer estratégia de anúncios.

Nas Sextas Ímpares #147, uma conversa sobre sete anos a empreender, contei uma fase em que demorava até sete dias a responder a uma lead. Eu estava envolvido em demasiadas decisões e era, na prática, o gargalo do meu próprio negócio, apesar de a procura existir. O funcionamento da empresa dependia demasiado de mim, e isso teve um custo real em oportunidades perdidas.

Hoje dou mais atenção à capacidade da equipa avançar com critérios claros, ao custo de entregar o serviço e ao tipo de relação que queremos ter com os clientes. Falei também nessa altura da importância de proteger a equipa quando uma relação de trabalho se torna prejudicial: já preferi perder um cliente do que ver alguém da equipa desmotivado por causa dele. Crescer exige tomar este tipo de decisões, além de procurar mais vendas, algo que também trato no artigo sobre transformar leads em clientes num negócio de serviços.

IA como parte do trabalho diário e do que ensino

A minha ligação à IA nasce desta mesma preocupação com a operação: perceber onde conseguimos trabalhar melhor, que tarefas automatizar e que ferramentas vale a pena construir. A SpartAds junta o trabalho de crescimento de negócios aos serviços de IA e automação, através dos seus dois sites, spartads.pt e spartads.ai.

Nas aulas mostro projetos e processos concretos: planeamento de uma aplicação com Claude Code, análise de campanhas e acompanhamento de resultados, sempre com atenção aos cuidados com dados, permissões e credenciais. Na aula #145, sobre a construção de uma aplicação de prognósticos desportivos, mostrei a aplicação de prognósticos de futebol que construí para amigos e expliquei o trabalho de planeamento e revisão de segurança antes de publicar. Nessa aula insisti que planear bem a arquitetura antes de pedir à IA para construir reduz muito o retrabalho, ainda que não elimine todos os erros: mesmo depois de publicar, apareceram bugs que precisaram de correção.

A segurança é um passo que trato como obrigatório, não como opcional: nunca expor chaves ou tokens em repositórios públicos, e sempre correr uma revisão dedicada antes de qualquer sistema ir para o ar. Falei sobre isto também na aula #151, sobre gestão de tráfego com apoio de IA, onde mostrei como uso alertas automáticos para acompanhar campanhas, sempre com o critério de decisão do lado humano.

Para quem quer explorar este tema com mais profundidade técnica, tenho o artigo sobre como planear uma aplicação com Claude Code antes de começar a programar. A ideia central é sempre a mesma: quem constrói sem entender os fundamentos do que está a fazer corre o risco de criar algo frágil, ineficiente ou inseguro, e isso custa tempo e dinheiro mais tarde.

No livro que escrevi em 2022 já discutia o impacto dos algoritmos e da IA no trabalho de quem gere anúncios. Defendia que o tempo libertado pela automação devia servir para melhorar a estratégia, a análise e a conversão. As ferramentas que uso hoje permitem-me trabalhar outros problemas, mas continuo a fazer essa pergunta: o que conseguimos melhorar no negócio com isto?

Explico esse trabalho nos guias de desenvolvimento de aplicações com IA e de segurança. São decisões que acompanham a construção, desde a definição de utilizadores até à revisão antes de publicar.

Ensinar, escrever e continuar a executar

O ensino faz parte do meu trabalho há vários anos: sou autor do livro "Aprende a vender com Marketing Digital", criei o AdSummit e mantenho as Sextas Ímpares como espaço de partilha pública. Ensinar exige organizar o raciocínio, testar ferramentas antes de as recomendar e conseguir explicar com clareza por que escolho uma abordagem em vez de outra.

Tenho mais de 30 mil alunos ao longo destes anos de formação. A experiência acumulada inclui mais de 5 milhões de euros faturados online em projetos próprios e apoio direto a mais de 1.000 empresas portuguesas, através de serviços ou mentorias próximas. São números do meu percurso em negócios e formação, não uma promessa de resultado para quem participa nos programas, cada negócio tem o seu ponto de partida e os seus próprios desafios.

No Laboratório da IA dou duas mentorias por mês sobre IA e negócios online, onde revejo projetos concretos dos alunos. Esse acompanhamento serve para trabalhar decisões de execução: o que construir primeiro, o que está a falhar e o que precisa de ser revisto antes de avançar. Continuo a aprender com os projetos da equipa, com os alunos e com as perguntas de quem está a aplicar isto no terreno, todos os dias.

Podes conhecer a minha forma de trabalhar em mais detalhe nas páginas de IA e automação e de negócios online e vendas. Para acompanhar demonstrações práticas e conversas mais longas sobre estes temas, tens as Sextas Ímpares no YouTube.

Para conheceres o acompanhamento atual, vê como funciona a mentoria de IA e negócios. Podes também ler os testemunhos de alunos de formações anteriores, preservados com o seu contexto.

Aprender, aplicar e voltar a rever

Continuo a aprender enquanto construo os meus projetos e acompanho outras empresas. Uma ferramenta nova pode mudar a forma de executar uma tarefa, mas preciso de perceber o que melhora na entrega e que responsabilidade continua do meu lado. É essa ligação entre aprendizagem, prática e revisão que procuro levar para as minhas aulas.

Quando partilho uma experiência, quero que percebas por que tomei aquela decisão e o que aconteceu depois. Depois podes comparar com o teu caso: tens a mesma informação, a mesma equipa e o mesmo problema? Essa comparação ajuda-te a escolher o que aproveitar e o que deves testar de outra forma.

No livro, contei uma ideia que me entusiasmou: uma aplicação para recolher e entregar roupa através de lavandarias. Falei com um possível sócio, que me pediu um Lean Canvas antes de avançarmos. Ao detalhar custos, operação e recursos necessários, percebi que aquele projeto exigia uma dedicação que eu não queria retirar aos negócios em que já estava envolvido.

Decidi não avançar. O planeamento ajudou-me a escolher onde colocar o meu tempo e a deixar de alimentar uma ideia só porque parecia boa à primeira vista. É uma experiência que levo para as conversas com outros empresários: gosto de entusiasmo, mas também quero perceber o trabalho que uma decisão traz consigo.

Escrevo uma newsletter há vários anos. Na aula #143 das Sextas Ímpares, falei do incómodo de começar a encontrar textos que parecem todos escritos da mesma forma: as mesmas analogias, o mesmo tom, poucas opiniões reconhecíveis. É uma preocupação que também trago para o meu conteúdo.

Quero que se perceba o que penso, incluindo as dúvidas que ainda estou a trabalhar. Falar sobre um assunto ajuda-me a organizar as ideias e, por vezes, a mudar de opinião. Nas aulas, há espaço para mostrar uma tentativa que falhou, explicar uma escolha e discutir o que faria de outra maneira.