Miniatura do vídeo: Como transformar mais leads em clientes com Roberto Cortez e Beatriz Teixeira | Sextas Ímpares #144

Nas Sextas Ímpares #144, conversei com a Beatriz Teixeira, responsável comercial nas nossas empresas, sobre este trabalho. Durante os primeiros anos da agência, o comercial ficou sempre em segundo plano, atrás da entrega técnica. A partir do momento em que passámos a dar prioridade a esta área, o ritmo da empresa mudou de forma visível.

Uma chamada sem resposta não chega para desqualificar

Descartar um contacto só porque não atendeu a primeira chamada é um erro comum. A Beatriz foi clara nesse ponto: uma ausência de resposta indica apenas que a pessoa não estava disponível naquele minuto, não que perdeu o interesse. Convém insistir por mais do que um canal antes de arquivar.

Se alguém preencheu um formulário a pedir ajuda, tomou uma iniciativa. Reduzir isso a uma única tentativa telefónica desperdiça o esforço de captação e distorce os números do funil, porque um contacto sem resposta não é o mesmo que um contacto sem enquadramento.

Para organizar essa rotina sem exagerar na insistência, pode fazer sentido combinar canais diferentes: uma chamada inicial, seguida de uma mensagem por WhatsApp se não houver atendimento, e mais tarde um email direto a confirmar se o tema continua a ser prioridade para a empresa. Só depois destas tentativas é razoável considerar o contacto como sem resposta, em vez de o misturar com quem foi efetivamente desqualificado. Montar um funil de leads que a equipa comercial consegue trabalhar exige justamente essa distinção clara entre estados diferentes.

Responder rápido conta, sobretudo enquanto o pedido está fresco

Contactar alguém enquanto o interesse ainda está ativo ajuda bastante nas taxas de conversão em serviços. Quem procura uma agência ou um consultor raramente pede só um orçamento a uma empresa. Falámos sobre a importância da rapidez de resposta nos serviços e sobre o que isso significa na prática.

Quando alguém preenche um formulário, aproveita esse momento para dar seguimento ao pedido. Se deixares passar vários dias, a pessoa pode já estar a falar com outra empresa. A rapidez interessa porque te permite entrar na conversa enquanto a necessidade ainda está presente.

Para conseguir essa rapidez sem depender sempre da disponibilidade de uma única pessoa, o pedido tem de chegar organizado a quem vai fazer o contacto, com uma notificação que avise da entrada da lead e o contexto do formulário já disponível. Depois disso, alguém tem de assumir a responsabilidade de ligar ou escrever. Vale a pena medir o intervalo entre a entrada do pedido e a primeira resposta, para perceber onde estão os atrasos reais.

O guia de automação comercial com IA acompanha o percurso entre entrada do pedido, atribuição e seguimento pela equipa.

Um guião ajuda a não sair da conversa sem os dados que precisas

Um guião ajuda-te a recolher a informação de que precisas para preparar a proposta. Usa-o para orientar a conversa e adapta as perguntas ao que a pessoa responde. Antes de terminar, confirma o que ficou por esclarecer e combina o próximo passo.

A Beatriz defendeu que a flexibilidade só funciona quando assenta numa base de perguntas de qualificação. Ao acompanhar freelancers e pequenas agências ao longo dos anos, deparei-me várias vezes com pedidos de ajuda para calcular propostas sem que a pessoa soubesse ainda o que o cliente pretendia resolver, que orçamento tinha disponível ou que estrutura interna existia. Sem esses dados, qualquer proposta acaba a ser um palpite.

Durante uma chamada de diagnóstico, vale a pena sair com respostas claras a pelo menos quatro perguntas: qual é o objetivo concreto do projeto e como a empresa mede sucesso; o que já foi tentado antes e porque não resultou; que montante está reservado para investir; e se existe equipa interna capaz de acompanhar o trabalho depois de entregue. Se, ao longo da conversa, perceberes que falta capacidade de investimento ou estrutura para tirar partido do serviço, é preferível dizê-lo com clareza do que forçar um compromisso que ninguém vai conseguir cumprir.

Saber dizer que não faz parte de qualificar bem

Desqualificar uma oportunidade significa concluir, com critério, que aquele potencial cliente não reúne as condições para beneficiar do serviço naquele momento. Esta decisão deve assentar em critérios objetivos, não numa impressão vaga da chamada. Aceitar projetos fora desse enquadramento tende a criar desgaste para ambas as partes.

No nosso caso, um serviço de geração de tráfego pago só faz sentido para uma empresa que tenha modelo de negócio validado, margem para investir de forma continuada em anúncios e capacidade de dar seguimento comercial aos contactos gerados. Faltando qualquer um destes elementos, aceitar o projeto tende a resultar em dinheiro mal gasto pelo cliente e esforço desperdiçado do lado da equipa.

Em vez de fechar contratos apenas por necessidade de faturação, um comercial que conhece bem a operação sabe orientar a conversa com honestidade: em certos casos, é preferível recomendar outro caminho, mesmo que isso signifique não fechar naquele momento. Isto protege a reputação da empresa a prazo, mais do que qualquer contrato isolado.

Explicar o benefício ajuda a justificar o valor pedido

Quando um cliente diz que a proposta está cara, normalmente ainda não percebeu bem o que vai receber em troca do valor pedido. Se o benefício percebido não superar claramente o custo apresentado, a pessoa hesita ou procura alternativas mais baratas. Cabe à apresentação comercial esclarecer esse desequilíbrio.

A Beatriz comentou que é frequente fecharmos clientes que já tinham recebido várias propostas mais baratas do que a nossa. A clareza com que se explica a entrega pesa nessa decisão. Se a proposta se limitar a uma lista técnica de tarefas, o cliente compara pelo preço; se explicar o que cada etapa resolve, a conversa muda de eixo.

Um exemplo hipotético ajuda a ilustrar isto: imagina um cliente que só quer investir duzentos euros por mês em anúncios, à espera de retorno imediato. Em vez de recusar de imediato ou aceitar condições que dificilmente trariam resultado, faz sentido explicar as métricas do setor e a natureza mais lenta e variável do retorno em publicidade digital. Perante a objeção de preço, convém evitar ceder margem no primeiro minuto de hesitação, perguntar com que referência o cliente está a comparar, e relacionar cada entrega com um resultado concreto para o negócio dele.

O volume de propostas conta mais do que parece

Vender serviços com regularidade depende, em boa parte, de manter reuniões e propostas ativas todas as semanas. Esperar que o negócio cresça sem colocar continuamente novas propostas no mercado atrasa qualquer agência ou consultor. A equipa comercial precisa de acompanhar os seus números com alguma frieza, sem se deixar abater por recusas isoladas.

Na nossa experiência, o volume de propostas cresceu de forma muito acentuada de um ano para o outro, e esse aumento de cadência acompanhou o crescimento de clientes fechados. Se a taxa de conversão andar perto dos vinte por cento, são necessárias cerca de dez propostas para fechar dois projetos. Vale a pena acompanhar o número de reuniões de qualificação, o volume de propostas apresentadas, a taxa de conversão e o valor médio dos contratos fechados, para perceber onde ajustar o discurso ou a qualificação.

Lidar com a recusa faz parte da rotina de qualquer pessoa em vendas. Não convém mudar de estratégia porque duas ou três oportunidades seguidas não avançaram: é preciso volume suficiente antes de tirar qualquer conclusão sobre a eficácia da abordagem.

IA pode ajudar a preparar e registar conversas, sem substituir a relação

Ferramentas de inteligência artificial ajudam a reduzir tarefas administrativas e a libertar atenção para a conversa em si. Resumos automáticos, transcrições e recolha de contexto sobre a empresa aliviam trabalho manual. Mas a decisão de ouvir, negociar e criar confiança continua a ser humana.

A Beatriz mostrou na conversa como a IA pode ajudar a organizar informação comercial. Recorrer a ferramentas de transcrição em reuniões permite dispensar o bloco de notas durante a chamada e manter atenção na pessoa, sabendo que os pontos importantes ficam registados para depois. Essas ferramentas também podem ajudar na pesquisa prévia sobre o posicionamento e a concorrência de uma empresa antes do primeiro contacto, e na elaboração de propostas que refletem melhor os pontos levantados no diagnóstico.

Dito isto, nenhuma automação substitui a ligação que se cria numa conversa humana, sobretudo em vendas de serviços onde a confiança pesa tanto quanto a técnica. Em Crescer um negócio online: o que aprendi sobre margem, equipa e IA desenvolvo esta ideia de a tecnologia servir a eficiência sem substituir o lado humano do trabalho. Também vale explorar IA na prospeção B2B: como qualificar oportunidades antes de contactar, que trata da preparação prévia ao contacto.

Se queres rever o acompanhamento comercial do teu negócio de serviços, conhece os nossos serviços para negócios online e vendas.