
Numa reflexão sobre o meu percurso, pedi a uma inteligência artificial que me fizesse perguntas desconfortáveis sobre estes sete anos de agência, infoprodução e mentorias, e sobre os cerca de cinco milhões de euros faturados nesse período entre a SpartAds, outros projetos próprios. Várias respostas acabaram por tocar exatamente neste ponto: o conhecimento só vale quando é testado contra as fricções reais do dia a dia da empresa.
A agência nasceu em 2019, depois de eu já trabalhar no digital desde 2012. Os cerca de cinco milhões mencionados nesta reflexão pertencem ao balanço então feito. O acumulado atualizado é de 6 milhões de euros nos meus negócios, com a maior fatia em serviços e execução.
O vício de acumular formação sem nunca aplicar
Entrar em programa atrás de programa sem implementar nada dá uma falsa sensação de segurança e não resolve o problema comercial de base. Vejo isto com frequência: alguém entra numa mentoria, sai, entra noutra parecida, e ao fim de meses os resultados continuam no mesmo sítio.
Na entrevista falei sobre isto diretamente: há muita gente que anda em eterna formação, salta de mentoria em mentoria com os mesmos desafios sem nunca dar prioridade a executar o que já aprendeu. Isso entristece-me, porque é potencial perdido, é desperdício autêntico.
Se entras numa mentoria, tens de levar um objetivo concreto: montar o comercial, rever a página de vendas, aprender a fazer anúncios. A regra que defendo é simples: aplica o triplo daquilo que já aprendeste antes de ires buscar mais informação lá fora.
Para perceberes como estas decisões se ligam à saúde financeira do negócio, vale a pena rever o artigo sobre crescer um negócio online e gerir margem, equipa e processos.
Para preparar o próximo passo, consulta Os meus negócios, decisões e resultados.
Deixar de ser tu o gargalo comercial
Quando é o fundador a concentrar todo o contacto com clientes, o negócio perde velocidade sempre que a agenda dele fica cheia. Na entrevista respondi sem hesitar à pergunta sobre quanto dinheiro perdi por ser eu o gargalo: muito dinheiro.
Durante o período em que era eu a parte comercial da agência, cheguei a demorar sete dias para responder a uma lead. Na altura pensava que o principal era o entregável, que tínhamos de ter o máximo de brio no trabalho técnico, e isso continua verdadeiro. Mas percebi que o principal departamento de uma empresa de serviços são as vendas.
Hoje, se demorarmos sete minutos a responder já é considerado muito. A diferença não veio de um truque qualquer, veio de deixar de ser eu o centro de cada interação comercial. Isso implica critérios claros de qualificação e uma equipa preparada para agir sem esperar por mim.
Se queres estruturar este fluxo, o artigo sobre montar um funil de leads que a equipa comercial consegue trabalhar aprofunda este raciocínio.
Fechar projetos rentáveis para ganhar foco
Manter um projeto vivo só porque ainda fatura é uma das decisões mais difíceis de um empreendedor. Na entrevista dei o exemplo do Prolancer, um programa de mentoria que já tinha tido sete turmas quando decidi encerrá-lo, quando provavelmente devia ter parado na quinta.
Abdicar de uma turma significava recusar algo como 70 a 75 mil euros que entrariam naquele mês. A curto prazo parecia má decisão financeira. Mas ao parar de pôr energia no negócio dos outros e passar a pôr essa energia toda no meu próprio negócio, os resultados explodiram: este ano não temos Prolancer e estamos a faturar mais do que nunca.
A lição que retiro é que vale a pena avaliar, projeto a projeto, se cada iniciativa ainda compensa a energia consumida em comparação com o potencial de crescimento do negócio principal, mesmo que ela continue rentável.

Faturação bruta versus margem que fica no bolso
Falar de faturação é fácil, falar de margem é que é desconfortável. Na entrevista assumi isto sem rodeios: houve anos em que a nossa prioridade não era o lucro, era crescimento e ganhar cota de mercado, e isso aconteceu de forma consciente, não por acidente.
Na entrevista descrevi uma mudança de foco para o lucro nas empresas e para a melhoria dos processos. Referi que, naquele momento, a faturação estava cerca de 117% acima do ano anterior, sem aumento da equipa. É um resultado que relatei sobre aquele período do meu negócio. A aplicação da IA fez parte dessa evolução, juntamente com decisões de operação e de foco; não apresento essa percentagem como uma promessa para outro projeto.
Esse ganho de produtividade é que se converte em margem real no final do mês, não a vaidade de anunciar um número de faturação bruta. Para veres como isto se aplica também ao trabalho de tráfego e marketing, o artigo sobre o que esperar de um gestor de tráfego na era da automação e IA desenvolve este ponto.
Masterminds, viagens e o turismo do conhecimento
Houve anos em que investimos mais de 100 mil euros em masterminds, eventos internacionais e viagens ao Brasil, ao México, à Argentina e aos Estados Unidos. Na entrevista fui claro: no Brasil, tive sobretudo prejuízo, porque entrei ali muitas vezes mais por vaidade do que por necessidade real de negócio, só para conhecer gente que conhecia do Instagram.
Precisamos de ser intencionais quanto ao benefício concreto que procuramos nesses grupos. Mantenho-me num mastermind em Portugal que faz sentido para mim, mas recuso outros convites logo à partida. Estou focado na operação e nunca faturei tanto como agora, sem dispersar por vaidade.
Muitas vezes o valor real desses grupos nem era a informação em si, era o facto de obrigarem a parar e pensar no negócio. Se conseguires criar esse hábito de parar semanalmente com a tua equipa para rever o que está lento, não precisas de pagar uma viagem para o fazer. Sobre como usar ferramentas modernas nesse processo de revisão, o artigo como usar a inteligência artificial no negócio para além do chatbot dá pistas concretas.