Uma conversa com IA pode produzir muitas opções sem resolver a escolha entre elas. Podes acabar com diferentes planos, argumentos para cada caminho e pouca clareza sobre o que depende realmente do teu negócio. A preparação para uma mentoria começa por organizar essa diferença entre possibilidades e condições concretas.
Valorizo estar perto de pessoas que fazem perguntas, discordam e ajudam a rever uma ideia. Essa perspetiva exterior pode ser útil, mas precisa de encontrar contexto suficiente para compreender o que está em causa. A experiência de outra pessoa não elimina a necessidade de verificares o que se aplica à tua situação.

Escreve a decisão que está a bloquear o próximo passo
Começa por uma pergunta que exija uma escolha ou uma investigação concreta. Explica o que queres alcançar, por que motivo precisas de decidir e o que acontece enquanto a decisão fica adiada. Uma pergunta delimitada ajuda a usar o tempo da sessão para examinar critérios, em vez de percorrer todo o negócio sem chegar a uma conclusão.
“Como faço crescer a empresa?” pode abrir uma conversa, mas ainda não mostra onde precisas de ajuda. Num exemplo hipotético, a decisão pode ser escolher entre melhorar o acompanhamento das oportunidades atuais ou procurar mais contactos. A pergunta torna-se mais útil quando apresentas a capacidade comercial disponível e o que acontece aos pedidos recebidos.
Não precisas de chegar com o diagnóstico fechado. Podes levar precisamente a dúvida sobre qual é o obstáculo principal. Nesse caso, explica o que te fez suspeitar de cada possibilidade e qual a informação que ainda não tens para as distinguir.
Para quem está a começar um negócio com IA, vale a pena separar decisões de oferta, aquisição e execução. Tentar resolver tudo numa única pergunta pode esconder dependências importantes. Escolhe o próximo compromisso que precisas de assumir e usa-o para dar foco à conversa.
Separa factos, interpretações e sugestões da IA
Prepara um resumo em que seja possível distinguir o que observaste, o que estás a concluir e o que a ferramenta sugeriu. Indica a origem e o período dos dados relevantes. Se uma afirmação ainda não foi confirmada, mantém essa condição visível para que a conversa não trate uma hipótese convincente como descrição do negócio.
Num exemplo hipotético, sabes que recebeste vários pedidos, mas não tens registo completo do seguimento. A IA pode sugerir que o preço está demasiado alto. Essa sugestão não se torna um facto porque aparece num plano detalhado; continua a precisar de ser confrontada com conversas, propostas e motivos de recusa que realmente conheces.
O trabalho de dar contexto à IA sem despejar informação também ajuda a preparar a sessão. Escolhe a informação que muda a interpretação da decisão. Um resumo curto com definições claras pode ser mais útil do que um histórico extenso que mistura números de períodos diferentes.
Evita partilhar dados pessoais ou informação confidencial que não seja necessária para discutir o problema. Podes usar valores agregados, exemplos fictícios identificados e descrições do processo. Quando um documento real for indispensável, confirma previamente as condições de acesso e de partilha, em vez de o colocar automaticamente num grupo.
Mostra as alternativas e o que te faz hesitar
Leva as opções que estás a considerar e explica o critério usado para as comparar. Identifica o benefício esperado, os recursos necessários e a incerteza de cada caminho. A mentoria pode ajudar a questionar esses pressupostos, mas essa discussão é mais concreta quando consegues mostrar por que razão ainda não escolheste uma das alternativas.
Não precisas de levar todas as respostas produzidas pela ferramenta. Seleciona as que realmente consideras executar e resume o que muda entre elas. Se duas propostas usam palavras diferentes para a mesma ação, junta-as antes da sessão para não gastar tempo a comparar uma diferença apenas de apresentação.
Num exemplo hipotético, a IA sugere criar uma ferramenta interna ou adaptar um processo numa ferramenta que a equipa já utiliza. A dúvida pode depender mais da manutenção, dos acessos e da frequência das alterações do que da aparência do primeiro protótipo. Explica quais dessas condições conheces e quais estão apenas estimadas.
Também é útil dizer o que te faria mudar de opinião. Pode ser descobrir que falta uma integração, que uma pessoa não tem disponibilidade ou que o problema acontece menos vezes do que pensavas. Assim, a conversa consegue procurar informação relevante para decidir, em vez de tentar defender a opção de que gostaste primeiro.
Leva uma tentativa que possa ser examinada
Sempre que for adequado, mostra uma tentativa pequena e explica o resultado que esperavas e o que aconteceu. Pode ser um rascunho, um processo desenhado ou um teste com dados fictícios. O objetivo é dar matéria concreta para a revisão, sem assumir riscos desnecessários apenas para chegar à sessão com alguma coisa já executada.

Uma tentativa incompleta pode ser suficiente para revelar uma dúvida importante. Num exemplo hipotético, desenhaste as etapas de resposta a um pedido e descobriste que ninguém ficou responsável por confirmar a entrega. Essa descoberta permite discutir uma responsabilidade concreta, sem precisar de construir primeiro uma automação completa.
Esta ligação entre sugestão e trabalho real faz parte de usar IA no negócio para além do chatbot. Uma resposta bem apresentada não mostra automaticamente que a solução funciona com a tua equipa. A tentativa ajuda a tornar visíveis os dados, as pessoas e as condições de que a proposta depende.
Se não conseguiste experimentar, explica porquê. Pode faltar uma decisão, acesso, conhecimento básico ou simplesmente tempo reservado. Essa informação também é útil, desde que não seja escondida atrás de um documento produzido pela IA que descreve como concluído um trabalho que ainda não aconteceu.
Sai com uma ação e uma forma de voltar à dúvida
No final, regista o que decidiste fazer, quem vai executar e que evidência vais procurar. Se a conversa não permitir uma decisão, define a informação que falta e como a vais obter. Uma sessão pode ser útil ao reduzir a incerteza, mesmo quando a melhor conclusão é preparar um teste antes de avançar.
Distingue uma sugestão recebida de um compromisso assumido. Podes ouvir uma perspetiva interessante e concluir que ainda não tens condições para a aplicar. Nesse caso, explica o limite e procura uma etapa adequada, em vez de anotar uma lista de ações que não cabe na capacidade do negócio.
A responsabilidade da execução não passa automaticamente para quem te orientou. Confirma se entendeste as condições da recomendação e pede esclarecimento quando uma parte não estiver clara. Uma pessoa experiente também pode não conhecer um detalhe importante do teu contexto, por isso a conversa deve permitir corrigir pressupostos dos dois lados.
Guarda o resumo da decisão e leva o resultado à sessão seguinte. Mostra o que fizeste, o que observaste e o que mudou desde a conversa anterior. Dessa forma, a mentoria acompanha um processo de aprendizagem, em vez de recomeçar sempre a partir de novas respostas da IA para a mesma pergunta.
Para preparar o próximo passo, consulta Mentoria individual de negócios com Roberto Cortez.